quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Pelo direito de sofrer

Alguns dias me pego refletindo sobre toda a força que eu penso que tenho, e procuro resquício dela em cada fio de cabelo, na mão estendida com tanto carinho de cada colega, no sorriso inocente dos meus alunos, nos olhos do meu pai, que busca entender o que não tem explicação. Eu já passei desta fase de buscar entender. Não quero entender mais nada, não me acho digna de perguntar o porquê... Dizem que Ele não nos dá fardos maiores do que podemos carregar, e eu, sinceramente, procuro acreditar nisso. Às vezes parece que não vou ser capaz, que toda a força já se esvaiu. Daí preciso chorar, porque a dor precisa sair, nem que seja pelos olhos... e eu não choro por pena de mim, não. Choro pela vida, por ver que tantas vezes o esforço que faço não é o suficiente. Penso também nas pessoas que vivem reclamando por tão pouco... mal sabem o tesouro tem nas mãos. Sabe aquela música que diz “ Na vida coisa mais feia, é gente que vive chorando de barriga cheia”? Mas eu não desisto. Tenho consciência de todas as bênçãos que Papai do Céu me deu, e dou valor a cada uma delas. Então, como já falava, se Ele, que nos ama tanto e nada faz por acaso, me achou forte o suficiente para carregar este fardo é porque eu posso, e mais, posso fazer disso uma lição. E não o decepcionarei. Garanto. Mas eu também já aprendi a me dar o direito de sofrer quando eu preciso. Porque fingir que as coisas estão bem já é complicado, mas às vezes necessário. Agora, mentir pra mim mesma é no mínimo sofrimento em dobro. Acho péssimo ter que sorrir enquanto que a impressão que tenho é que meus músculos se rasgam por dentro. Não posso dar gargalhadas e tomar chimarrão enquanto sinto aquela vontade de arrancar as pernas fora! Poxa! Todos temos o direito de sofrer! Dá licença!

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