sábado, 31 de maio de 2014

Continuar é preciso

A dor é forte. Demais. Estou numa crise há um mês. Começou com sinais de uma crise como qualquer outra: aquela dor insistente que não passa com Ciclobenzaprina, nem Ultraced, nem Sedilax, nem Tandrilax, nem a junção de todos os "lax" que eu tinha. Ok. Fui fazer Tramol na veia um dia, dois dias, três dias...e a dor voltava no maldito dia seguinte. Morfina. A dor voltou na droga no dia seguinte. Só quem passa por isso sabe o que é abrir o olho, depois de depositar todas suas esperanças na droga mais poderosa das drogas, e ter aquela dor pulsando em cada músculo. Calma. Visita ao reumatologista, aumento de medicação, troca de alguma e a gente sai do consultório com aquela pontinha de esperança que aparece de algum lugar. Talvez pule da gaveta do médico. Tem também a culpa, aquele sentimento de inutilidade, diante do trabalho. Olho para meus pequenos, tão lindos e saltitantes, cheios de vida, precisando de mim, e me vejo em situação de alerta a qualquer movimento, defendendo inconscientemente meu corpo...E choro. Por dentro me sinto dilacerada. Mas sei que vai passar. Sempre passa. Paciência é preciso. Acreditar é preciso.Continuar é preciso. Tento parecer forte. As pessoas não entendem. E nem podem. Mas não resisto à minha mãe, que parece olhar através de mim. No seu abraço me sinto tão pequena e as lágrimas se dão ao direito de rolarem, como rolam agora. E lhe questiono, me sentindo criança de novo : "por que essa dor não vai embora, mãe?". Na sua sabedoria ela responde: "Vai passar. Quando tu menos esperar ela passou". E eu acredito. Porque mãe nunca mente.