sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Depressão: bem-vinda
Crise de dor: medicação na veia dia sim, outro também, impossibilidade de dormir, de trabalhar, e junto com ela uma sensação enorme de fim de poço. É a depressão mostrando sua cara mais uma vez. Desta vez foi terrível. Queria muito morrer, acabar com esta dor. Só quem passa por isso entende. Não adianta me dizer que eu tenho tudo de bom na vida e que tem pessoas com doenças muito piores. Sério, nestas horas pouco me importam as outras pessoas. Eu sei de mim, da minha dor.
O corpo dói, a medicação não ajuda, e ainda por cima dói a alma. Dói querer fazer as coisas e não conseguir. Dói ver as pessoas felizes, seguindo a vida, e a gente não conseguindo fazer o mesmo. Dói ver as pessoas que amamos sem saber o que fazer para nos ajudar. Dói.
Troquei a medicação há um mês e tô me reerguendo. Ainda me forço a fazer muita coisa, como sair da cama de manhã. E não é aquela preguiça matinal que todo mundo tem. É uma vontade de desaparecer pro mundo.
Meus alunos pitoquinhos estão sendo uma grande fonte de energia. Sentir o amor deles me faz bem.
E é isso, só peço força pra seguir.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Pelo direito de sofrer
Alguns dias me pego refletindo sobre toda a força que eu penso que tenho, e procuro resquício dela em cada fio de cabelo, na mão estendida com tanto carinho de cada colega, no sorriso inocente dos meus alunos, nos olhos do meu pai, que busca entender o que não tem explicação. Eu já passei desta fase de buscar entender. Não quero entender mais nada, não me acho digna de perguntar o porquê... Dizem que Ele não nos dá fardos maiores do que podemos carregar, e eu, sinceramente, procuro acreditar nisso.
Às vezes parece que não vou ser capaz, que toda a força já se esvaiu. Daí preciso chorar, porque a dor precisa sair, nem que seja pelos olhos... e eu não choro por pena de mim, não. Choro pela vida, por ver que tantas vezes o esforço que faço não é o suficiente.
Penso também nas pessoas que vivem reclamando por tão pouco... mal sabem o tesouro tem nas mãos. Sabe aquela música que diz “ Na vida coisa mais feia, é gente que vive chorando de barriga cheia”? Mas eu não desisto.
Tenho consciência de todas as bênçãos que Papai do Céu me deu, e dou valor a cada uma delas. Então, como já falava, se Ele, que nos ama tanto e nada faz por acaso, me achou forte o suficiente para carregar este fardo é porque eu posso, e mais, posso fazer disso uma lição. E não o decepcionarei. Garanto.
Mas eu também já aprendi a me dar o direito de sofrer quando eu preciso. Porque fingir que as coisas estão bem já é complicado, mas às vezes necessário. Agora, mentir pra mim mesma é no mínimo sofrimento em dobro. Acho péssimo ter que sorrir enquanto que a impressão que tenho é que meus músculos se rasgam por dentro. Não posso dar gargalhadas e tomar chimarrão enquanto sinto aquela vontade de arrancar as pernas fora! Poxa! Todos temos o direito de sofrer!
Dá licença!
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Fibromialgia, o começo!
“Viver e não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz(...)”
É com estes versos do mestre Gonzaguinha que começo este relato de vida, que talvez não seja sempre tão feliz, mas também, mas também, ninguém é sempre feliz. Na verdade este relato começa impregnado de dor e nasce da dor. Mas também é um relato de quem aprende a cada dia que vale a pena ser um eterno aprendiz.
E esta aprendiz, sou eu, Daiane, 24 anos, professora, Pedagoga, irmã, filha, professora de dança de salão e fibromiálgica. E é este último papel que me traz a vontade de dividir com vocês um pouco das aprendizagens que tive e continuo tendo a cada dia que acordo e a dor está lá, mas a vida também está e é nela que tento me apegar.
Fácil? Nem de longe! Exige auto-reflexão diária, paciência, tolerância, antidepressivo, e otimismo, muito otimismo. Exige uma visão diferente dos dias que passam e a valorização de cada pequena manifestação de vida.
Tudo começou quando eu tinha uns 12 anos e comecei a sentir uma dor muito forte nas costas e nos braços.O médico achou que fosse tendinite e me mandou usar aquelas munhequeiras. A dor continuou. Fiz Raio-X e nada apareceu o que fez o médico achar que era falta de exercício e me mandou pra musculação. Fiz musculação, hidroginástica, fisioterapia...e nada. Cada vez que eu ia a um médico ele pedia um novo Raio-X, e lá ia eu para um novo tipo de exercício. Neste processo todo eu já estava querendo morrer. Achava que tinha um câncer nos ossos, que ninguém descobria, que era melhor morrer do que acordar e dormir com esta dor que ninguém sabia o que era. Minha família não acreditava em mim, afinal nos exames não aparecia nada, eu estava exagerando!
Assim foi por 6 anos até que cheguei ao santo Reumatologista!! E foi ele que logo citou a fibromialgia. Pediu uma série de exames para descartarmos outras coisas, que claro, não deram em nada. Enfim eu tinha um diagnóstico: FIBROMIALGIA. Esperançoso? Não. Mas pelo menos eu agora sabia o que era e eu não iria morrer disso. Quando conhecemos o inimigo a luta fica mais fácil.
E esse foi o começo de uma luta diária, que nem sempre consigo vencer.
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